Chuva contínua encharca solo e aumenta risco

A chuva contínua que atinge a região há uma semana já começa a causar o encharcamento do solo em Campinas.

Patrícia Domingos/AAN
O motorista Valter Cardoso de Carvalho mora no condomínio há 5 anos e estaciona o ônibus sempre no mesmo lugar: "o porteiro me avisou, vim correndo, mas não tinha mais o que fazer"
No sábado (21) à noite, parte do muro dos fundos do Condomínio Salvador, no DIC 1, caiu e atingiu um ônibus fretado que estava estacionado na rua e quase engoliu dois carros de moradores que estavam no estacionamento do prédio. Ninguém ficou ferido. Segundo o coordenador regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado, a previsão é que o tempo comece a melhorar na quarta-feira. Até o início da tarde de ontem, Campinas registrava nas últimas 72h 77,9 milímetros de chuvas. Em 140 minutos, entre sábado e ontem de manhã foram registrados 23,3mm. Com acumulado de 312,5 milímetros este mês, Campinas superou a média histórica de 289,1mm para janeiro.

“Estamos em estado de alerta. A preocupação das pessoas é sempre com os alagamentos e transbordamentos dos rios, mas também temos que ter atenção ao encharcamento do solo que causa quedas de muros, árvores e até deslizamentos. O solo está saturado pois estamos com muitos dias de chuva”, disse Furtado.

A queda do muro foi por volta das 20h. Segundo moradores, a água acumulou na parte de cima do condomínio e desceu para os fundos, onde fica o muro. Como o volume era grande, o muro cedeu e atingiu um ônibus que estava estacionado na Rua Leovigildo Grama Júnior. A terra que servia de aterramento do estacionamento do residencial deslizou e sugou um Citroën C3 e um Prisma que estavam nas garagens. “Eu assistia à TV com minha mulher quando ouvimos um barulho enorme. Olhei pela janela e vi o muro caindo. Corri para abrir a garagem e tirar o carro, mas aí ouvi estalos e a terra cedendo, então procurei abrigo”, contou o almoxarife Adilson Santos, de 43 anos.

O carro de Santos, o Prisma, foi retirado por um guincho. Já o C3 da cabeleireira Soraya Gomes, de 35 anos, ficou preso no local. “O Adilson me avisou e vim correndo ver. Quando cheguei apenas as duas rodas da frente estavam no ar. Na hora pensei em puxar o carro, mas ele me aconselhou a não chegar perto, pois corria o risco do chão ceder”, disse a cabeleireira.

O motorista Valter Cardoso de Carvalho, de 53 anos, mora no condomínio que fica na Rua Leovigildo Fama Júnior e há cinco anos estaciona o ônibus com o qual trabalha no mesmo local e disse que nunca imaginou que fosse acontecer o desmoronamento do muro. “Na hora ouvi um barulho imenso e achei que fosse acidente, mas pouco tempo depois o porteiro do Condomínio Salvador me ligou avisando do acidente. Vim correndo, mas não tinha mais o que fazer”, falou. O ônibus teve vidros quebrados e ficou tomado pela terra e lama.

No começo da tarde de ontem, um engenheiro do Departamento de Uso e Ocupação do Solo (Duos) foi no local, interditou seis garagens e intimou o síndico a colocar o muro “em condições de estabilidade e segurança o mais rápido possível”. O síndico Anderson Aparecido Sanches da Silva disse que o muro foi construído há 15 anos, inclusive com muro de arrimo em uma parte anterior, já que o local era um barranco, e que até então não apresentava nenhum problema. “Realocamos os veículos para outras garagens e vamos conversar com os moradores para solucionar o caso o quanto antes”, disse.

Apesar da chuva forte, os rios não transbordaram e seguem com nível estável. Ontem, das 11 cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) que estavam em atenção, apenas Campinas, Indaiatuba, Monte Mor, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré permaneciam na lista. As demais estão em estado de observação, segundo boletim da Defesa Civil, divulgado às 18h.

Fonte: RAC
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